poucas palavras

O amor é bicho instruído…

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Sabe quando um filme que você aluga sem qualquer pretensão te emociona? “Peixe Grande” (Big Fish). O melhor filme dirigido por Tim Burton que eu já assisti. A história de uma aventura tão grande quanto a vida.

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eu vou correndo buscar a glória, minha glória

As luzes da cidade acenderam-se, o crepúsculo cresceu entre os prédios, dentro da noite veloz, e eu pensando em você. Como é que essas coisas acontecem? Coisa de doido pensar em alguém assim. Como a aranha para a mosca, você me sussurrou: “bem-vinda à minha teia”. Ou terá sido meu esse sussurro?

Esse amor está constantemente em cio debaixo da mesa, enquanto escrevo aqui. Não há cachaça ou “punheta” que me dê arrepio como esse.

É em noites como a de hoje que os amantes são atraídos pelos becos sem saída como os insetos tontos pela luz.

ps.: ao som de “Desculpe, baby”, dos Mutantes.

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enredo

Sonho enredos para escrever o que se passa na minha cabeça todos os dias, mas esses enredos não chegam aqui. Anoto pensamentos, frases, tudo eu anoto. Em pedaços de papel, nota fiscal, cartão de visita, num folheto qualquer.

Quando você está comigo, cada palavra, até a mais imbecil, chega até o fundo de mim, e vivo com suas palavras e tudo o mais.

Têm dias que eu te vejo como um doce de creme. Açucarada, macia, e pronta para ser comida. Sei que quando sopro no teu ouvido, é infalível, 500 mil arrepios te percorrem o corpo, os bicos ficam durinhos e você não seguro o riso. Você é linda assim, tocando o meu corpo. Tudo o que eu quero é passar a língua em seu pescoço, nuca, as mãos te agarrando os seios… você transmitindo prazer sobre a minha pele.

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a coisa mais linda que existe

(a besta do Gil e Torquato Neto)

Coisa mais linda nesse mundo 
É sair por um segundo 
E te encontrar por aí 
E ficar sem compromisso 
Pra fazer festa ou comício 
Com você perto de mim

Na cidade em que me perco 
Na praça em que me resolvo 
Na noite da noite escura 
É lindo ter junto ao corpo 
Ternura de um corpo manso 
Na noite da noite escura

A coisa mais linda que existe 
É ter você perto de mim

O apartamento, o jornal 
O pensamento, a navalha 
A sorte que o vento espalha 
Essa alegria, o perigo 
Eu quero tudo contigo 
Com você perto de mim

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era uma vez o homem que virava barril

Quando pequena, morando na minha cidade do Rio de Janeiro, costumávamos passar as noites de verão (mas só faz verão naquela cidade!) na rua. Pais, mães e (algumas vezes) os avós com suas cadeirinhas de praia, ou banquinhos de madeira, nos portões de casa. A criançada com pé no chão, brincando. Uma certa hora, minha bisavó, mais conhecida como  ”dona Sônica” (seu nome era Alcinda), aparecia, já com seus quase 90 anos e muitas histórias e causos para contar. A criançada e a adultada se reunia ao redor dela para ouvi-la. Não é que havia um homem que virava barril? Isso mesmo: barril! O homem já não existia mais, mas havia morado na vizinhança. Era um moço que, dizia a minha bisa, nunca permanecia com os amigos até muito tarde na rua. Ele sempre inventava uma desculpa. Os amigos estranhavam, mas a vida seguia. Acontecia que, por volta da meia-noite da primeira noite lua cheia, passava sempre um barril rolando pelas ruas. Coisa de “assombração”, todos diziam. Foi numa noite de lua cheia, os amigos na esquina da rua reunidos, quando o tal moço disse que precisava ir para casa. Os amigos insistiram para que ele continuasse com eles, mas o moço foi pra casa apressado. Passado algum tempo, lá vem o “misterioso” barril rolando pela rua. Um deles acertou uma pedra que tirou uma lasca do barril. Inexplicavelmente (?), o tal moço apareceu com um braço quebrado na manhã seguinte. A vizinhança inteira, que já achava que existia algo de estranho naquele moço, jurou – de pé junto – que ele era o barril que rolava pelas ruas, em noites de lua cheia.

Esta história me foi contada várias vezes, durante a infância. Tento relatá-la simplesmente, usando um mínimo de literatura. Mas toda a transcrição desse tipo de conto é inevitavelmente falha. Essa história só vive de viva voz.

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Arquivado em prosa da minha fronteira

cannot contain this

Para mim, faz toda a diferença na minha letra ter ou não a tampa da caneta no topo da caneta. Ainda bem que só uso o toque dos dedos aqui…

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